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"A Múmia": Tom Cruise foi "uma estrela de cinema descontrolada"?

Com a desilusão nas bilheteiras americanas, algumas pessoas ligadas ao estúdio queixam-se agora da influência que Tom Cruise exerceu em todas as etapas da produção.

"A Múmia" é um sucesso internacional, principalmente na China, mas nos EUA o sabor é de desilusão: as receitas nesse país apenas correspondem a 19% do total.

O tom das críticas também tem sido negativo e agora algumas pessoas ligadas ao estúdio estão a apontar o dedo a Tom Cruise.

Variety recolheu "confidências" que coincidem na "excessiva quantidade de controlo" que o ator teve sobre o projeto, levando a alterações significativas, citando que é outro "caso exemplar de uma estrela de cinema descontrolada".

O contrato dava a Cruise grande poder de decisão sobre o argumento, a pós-produção e decisões de marketing.

O ator trouxe novos argumentistas, que aumentaram a importância do seu papel como o militar mercenário Nick Morton, tornando-o mais central na história, uma vez que no início tanto ele como a Múmia (interpretada por Sofia Boutella) tinham o mesmo tempo no ecrã.

A montagem também foi controlada de perto e a versão final afastou-se do género de terror para se tornar um título mais parecido com outros da sua carreira.

Uma das passagens mais interessantes cita fontes que falam das dificuldades que o realizador Alex Kurtzman teve "para se ajustar à dimensão do projeto, pelo que parecia que Cruise era o verdadeiro realizador, definindo as grandes sequências de ação e tomando até as pequenas decisões na produção".

O ator já admitiu várias vezes as suas tendências perfecionistas: "Não faço apenas um filme. Dou-lhe tudo o que tenho e também espero o mesmo dos outros".

Entre relatos anónimos, Frank Walsh, o supervisor de direção artística, é citado no artigo e confirma implicitamente o controlo no meio dos elogios: "Isto é muito um filme de duas metades: antes de Tom e depois do Tom. Tenho ouvido histórias de como ele controla tudo e pressiona, mas foi espantoso trabalhar com ele. O tipo é um grande cineasta e conhece o seu ofício. Ele chega à rodagem e diz ao realizador o que fazer, refere 'essa não é a lente certa', pergunta pelos cenários e é uma pessoa espantosa com quem trabalhar desde que as pessoas não falhem no que lhe estão a dizer".

O estúdio Universal negou a influência negativa do ator.

"Tom [Cruise] aborda cada projeto com um nível de compromisso e dedicação que não tem comparação com a maioria dos que trabalham atualmente na nossa indústria. Ele tem sido um verdadeiro parceiro e colaborador criativo, e a sua meta com qualquer projeto em que trabalha é proporcionar aos espectadores uma experiência verdadeiramente cinematográfica", diz o comunicado.

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