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Globos de Ouro: Apresentação de Seth Meyers aborda escândalos sexuais e quase ignora Trump

O anfitrião da cerimónia fez da revelação dos escândalos sexuais o principal assunto do seu monólogo.

As estrelas desfilaram na passadeira vermelha vestidas de preto em solidariedade com o movimento contra os assédios sexuais e o anfitrião não perdeu tempo a falar do assunto na abertura dos Globos de Ouro, a primeira cerimónia transmitida em direto para o mundo com a presença de Hollywood desde que começaram as denúncias.

"Boa noite, senhoras e senhores que restam. Sou o Seth Meyers e esta noite serei o vosso anfitrião. É 2018, a marijuana é finalmente legalizada e o assédio sexual finalmente não é", anunciou.

Nos minutos seguintes do seu monólogo, o anfitrião fez um exercício de equilibrismo que consistiu em deixar as estrelas presentes bem dispostas à medida que fazia piadas sobre o tema do momento e surpreendeu quem conhece o seu talk-show noturno ao deixar para segundo plano o atual inquilino da Casa Branca.

Brincando com o facto de que Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood ser uma combinação de palavras "que não podia ter sido melhor criada para enfurecer o nosso presidente",  tirando a "Associação Hillary México Salada", e suspirando por uma corrida presidencial de Oprah Winfrey com Tom Hanks, o mais sério que Meyers se aproximou da atualidade política foi quando disse que nem era o Seth mais poderoso na sala, numa alusão a Seth Rogen, e citou a comédia "Uma Entrevista de Loucos", que enfureceu Kim Jong-un : "Recordam-se quando era ele que criava os maiores problemas com a Coreia do Norte?"

Mas foram os momentos em que se referiu diretamente às duas maiores personalidades caídas em desgraça com as revelações sexuais que deixaram o público claramente a rir com nervosismo.

"Vão fazer outra temporada de 'House of Cards'. O Christopher Plummer também está disponível para isso? Espero que ele consiga fazer um sotaque sulista. Porque não há dúvida que o Kevin Spacey não conseguia. Oh, isso é demasiado maldoso? Para o Kevin Spacey?", avançou.

Mas foi para o produtor Harvey Weinstein que ficou a piada mais contundente: "É a altura de falar do elefante que não está na sala. Harvey Weinstein não está cá esta noite porque ouvi rumores de que ele era maluco e alguém com quem é difícil trabalhar. Não se preocupem, ele voltará daqui a 20 anos quando se tornar a primeira pessoa apupada durante o momento em que se homenageia os que morreram."

Veja todo o monólogo.

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