A realizadora francesa Maïwenn sente-se 'traída' pela interpretação que foi dada numa entrevista à parte em que disse que Johnny Depp tinha assustado a equipa do seu filme "Jeanne du Barry - A Favorita do Rei".

Num 'casting' controverso como o monarca Luís XV, o filme marcou o regresso do ator norte-americano ao cinema e em francês após ganhar um processo de difamação contra Amber Heard, o último capítulo de um dos mais amargos e mediáticos divórcios de Hollywood.

No papel da amante Jeanne du Barry e atrás das câmaras como realizadora estava Maïwenn.

"Tenho de ser honesta. É difícil filmar com ele. Toda a equipa ficou assustada porque ele tem um tipo de humor diferente e não sabíamos se seria pontual ou aceitaria dizer os seus diálogos… quero dizer, mesmo se ele estivesse lá no set, a horas, a equipa tinha medo dele”, contou ao jornal The Independent sobre a experiência de trabalhar com o ator no filme que só agora está a chegar à Grã-Bretanha e aos EUA.

Jeanne du Barry - A Favorita do Rei (2023)

Após a repercussão da resposta 'honesta', Maïwenn veio a público esclarecer que não estava a falar do comportamento na rodagem.

"Quando fiz um comentário sobre o Johnny ser ‘assustador’, estava a falar sobre o seu carisma, a sua notoriedade, o seu estatuto de estrela, etc.. [Fiquei] chocada quando descobri que o jornal tinha a manchete ‘A equipa tinha medo de [Johnny Depp]’ porque escrito assim, e sem o seu contexto e subtilezas, não significa mais a mesma coisa. A jornalista [Charlotte O’Sullivan] não quis perceber a subtileza das minhas palavras”, escreveu a realizadora numa declaração à revista Variety.

E acrescenta: "Gostaria de deixar as coisas bem claras: o Johnny é ‘assustador’ no sentido de que o seu carisma e o seu estatuto de 'rei' são impressionantes. Deveria ter usado a palavra ‘impressionante’ se soubesse que Charlotte O’Sullivan usaria as minhas palavras de forma tão maliciosa”.

No artigo do jornal, de acesso pago, Maïwenn. também dizia que o ator fugia ao que estava no argumento e se sentiu insultado quando ela não seguia as suas alterações, e que não houve tempo para ensaios porque, "por alguma razão, não estava disponível. Ele tinha uma treinadora [de dialeto], mas não podia trabalhar com ela antes [da rodagem]. Descobri que o seu sotaque não era perfeito. Portanto, algumas vezes decidi cortar os seus diálogos. Mas isso também aconteceu com os atores franceses. Acontece!".

Passado o lançamento em Cannes em maio de 2023, acrescentou que já não estavam em contacto porque "o Johnny é um grande génio, mas está num outro mundo. Não consigo comunicar com ele".

Na declaração à Variety, Maïwenn reforça o tom de admiração.

"Quero ser muita clara: Johnny Depp é um grande ator. Um dos maiores. Lembrou-me muito [Marlon] Brando – a sua genialidade e dores, a sua generosidade e paradoxos. Embora tenhamos discutido várias vezes no set, ele é alguém que respeito e admiro totalmente, e é importante para mim corrigir a minha própria narrativa porque me sinto realmente traída por esta entrevista com Charlotte O’Sullivan”, escreve.

“Johnny Depp é uma celebridade e um génio, e sim, às vezes isso pode assustar algumas pessoas", resume.

TRAILER "JEANNE DU BARRY".