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Teatro reflecte sobre a degradação da humanidade na 7ª edição do KINANI

As influências do Ocidente são importantes para o desenvolvimento da cultura, mas não devem ser colocadas à frente das expressões artístico-culturais dos países africanos, sob o risco de ofuscar a identidade africana.

Quito Tembe

créditos: SAPO Txiling

Repensar o lugar do tradicional na linguagem artística contemporânea é a prosposta para a 7ª edição do Festival Internacional de Dança Contemporânea, KINANI, que terá lugar em Maputo entre os dias 21 e 26 do corrente mês.

A edição deste ano vai exibir 25 espectáculos de dança, oferecidos por 50 artistas provenientes de 14 países, nomeadamente: Moçambique, Portugal, Estados Unidos, França, Zimbabué, Kenya, Espanha, Ilhas Comores, Mayote, Burkina Faso, Namíbia, Andorra, Congo e Madagáscar.

O teatro estreia-se como uma das expressões artísticas apresentadas no festival, juntando-se à música e à dança, numa tentativa de estimular o "diálogo" entre as artes.

O actor moçambicano, Guilherme Rosa, disse, esta segunda-feira, em conferência de imprensa, na cidade de Maputo, que esta expressão artística vai ajudar a dissolver as fronteiras que separam as artes, uma vez que o teatro é uma convergência de várias e explicar alguns fenómenos sociais, como a degradação dos valores.

"É uma nova forma que o KINANI encontrou de cruzar as artes. Vamos apresentar "A Crise" que é um espectáculo que estreou ano passado e para além de ser teatro cruza o movimento (dança) e a música. Nesta apresentação procuramos, a partir do corpo do actor, reflectir sobre o mundo, sobre a condição humana e sobre esta tendência da degradação do homem, no mundo em que vivemos".

O KINANI propõe-se, igualmente, a impulsionar a criatividade artística na busca de soluções para os problemas que afectam a sociedade.

Neste âmbito, o coreógrafo Lulu Sala vai apresentar o espectáculo ´Shifting´, que segundo explica "é uma espécie de sinergia e uma história que muda, dependendo do espaço em que nos encontramos. A mensagem principal do Shifting é que a gente nunca pode descansar. há que nos adaptarmos e criar uma nova energia para o sistema no qual estamos inseridos".

O Director do Kinani defendeu que os artistas africanos devem aproveitar estas oportunidades para rebuscar no continente a sua forma de se expressar e de estar na arte.

Quito Tembe entende que as influências do Ocidente são importantes para o desenvolvimento da cultura, mas não devem ser colocadas à frente das expressões artístico-culturais dos países africanos, sob o risco de ofuscar a identidade africana.

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