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Canal de televisão francês adia filme sobre atentado no Bataclan

O operador público de televisão France 2 anunciou o "adiamento" do polémico telefilme sobre o atentado na casa de espetáculos Bataclan, a 13 de novembro de 2015 em Paris, até que o produtor "consulte o conjunto das associações de vítimas".

Dois anos depois do atentado terrorista na sala de espetáculos Bataclan, em Paris, o canal France 2 anunciou um telefilme sobre os acontecimentos de 13 de novembro de 2015. Segundo o site 20 Minutes, Sandrine Bonnaire e Simon Abkarian vão ser os protagonistas.

Intitulada "Ce soir-là" ("Naquela Noite"), a produção não é uma reconstituição do ataque mas sim o relato de uma história de amor que nasceu durante o acontecimento.  "Na noite de 13 de novembro de 2015, uma mulher que vive atrás do Bataclan e um homem que estava a passar por lá ajudaram os feridos a fugir dos terroristas e do inferno do ataque", explica o canal.

Sobre o adiamento, em comunicado, a France 2 frisou "que não há nenhuma data de exibição prevista" para este telefilme, que "ainda não foi visualizado pela direção do canal".

A companheira de um homem falecido no atentado lançou há um mês uma petição na internet para pedir que o projeto fosse travado, conseguindo mais de 36 mil assinaturas no site change.org. "Este projeto causa-nos danos, nos magoa-nos, choca-nos (...). Estamos escandalizados que um projeto audiovisual assim possa ver a luz do dia em tão pouco tempo depois deste acontecimento tão violento", denuncia o texto da petição.

"Embora nunca tenhamos pedido a censura,  estamos felizes porque o pudor e a moderação prevaleçam", declarou à AFP o presidente da associação de vítimas Life For Paris, Arthur Dénouveaux, sublinhando ainda que "o papel da associação não é o de censurar".

A sala Bataclan, localizada no centro da capital francesa, foi um dos alvos dos atentados da noite de 13 de novembro do ano passado, que causaram um total de 130 mortos.

O lugar voltou simbolicamente à vida com um concerto do cantor britânico Sting a 12 de novembro de 2016, na véspera do primeiro aniversário dos ataques, que causaram 130 mortos em Paris, 90 deles no Bataclan.

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T.D. / AFP

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