Depois de momentos de grande impacto protagonizados na semana passada por Pedro Almodóvar, Antonio Banderas e Penélope Cruz com "Dolor y gloria", e Elton John e Taron Egerton com "Rocketman" sobre a estrela da música, chegou a vez da equipa de "Era Uma Vez em... Hollywood" subir a famosa escadaria do Palácio dos Festivais.

A história de Tarantino em Cannes está repleta de cenas memoráveis, começando pela conquista da Palma de Ouro, entregue por Clint Eastwood há 25 anos, por "Pulp Fiction". Ao receber o prémio, entre aplausos e vaias, o cineasta fez um gesto obsceno com o dedo médio para uma mulher que gritou "Que merda".

Dez anos mais tarde, Tarantino regressou à Croisette para apresentar "Kill Bill vol.2" fora de competição, assim como já havia feito com a sua primeira longa-metragem, "Cães Danados", em 1992.

Com "Sacanas Sem Lei", o cineasta voltou a disputar a Palma de Ouro em 2009, mas o prémio foi vencido pelo cineasta austríaco Michael Haneke com "O Laço Branco".

Mas "Sacanas Sem Lei" não saiu de mãos vazias, já que Christoph Waltz foi escolhido como o melhor ator e ganharia quase um ano mais tarde um Óscar.

Na ocasião, a participação de Tarantino foi marcada pelos passos de dança com a atriz francesa Mélanie Laurent na passadeira vermelha. Em 2014, repetiu a cena com Uma Thurman, na celebração dos 20 anos de "Pulp Fiction".

Muitos questionam se ele dançará desta vez com Margot Robbie, que interpreta Sharon Tate em "Era Uma Vez em... Hollywood". De qualquer modo, o glamour está garantido com a dupla Leonardo DiCaprio e Brad Pitt, que trabalham juntos pela primeira vez.

Na manhã desta terça-feira, os fãs já estavam posicionados diante do histórico Palácio dos Festivais à procura de um cobiçado convite para a exibição.

Apelo contra "spoilers"

O filme de 165 minutos, filmado em 35mm, decorre na Los Angeles de 1969.

"Era Uma Vez..." segue as aventuras de Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), estrela de westerns da TV, do seu duplo Cliff Booth (Brad Pitt), assim como da sua vizinha, a atriz Sharon Tate. Outras figuras famosas, como Bruce Lee e Steve McQueen, aparecem no ecrã.

Poucas informações foram divulgadas sobre o nono filme do realizador. "É o seu argumento mais pessoal", declarou um dos produtores da longa-metragem, David Heyman, à revista Entertainment Weekly.

"No filme há recordações suas da criança que cresceu em Los Angeles e que sonhava com Hollywood. É realmente emocionante, porque há muito da sua história", completou.

Com tantas expectativas, Tarantino, 56 anos, pediu às pessoas que vão assistir ao filme em Cannes para não revelarem detalhes.

Uma mensagem partilhada nas redes sociais na segunda-feira começava com "Adoro o Cinema. Vocês adoram o Cinema. É a viagem de descobrir uma história pela primeira vez".

"Estou entusiasmado por estar aqui em Cannes para partilhar "Era Uma Vez ... em Hollywood" com o público do festival. O elenco e a equipa trabalharam muito para criar algo original, e só peço que todos evitem revelar qualquer coisa que impeça o público a seguir de experimentar o filme da mesma forma". Obrigado.", concluia.

A acompanhar a mensagem nas redes sociais surgia a hashtag #NoSpoilersInHollywood [nada de spoilers em Hollywood].

Se receber o prémio máximo de Cannes este sábado, Tarantino passará a integrar o seleto grupo de cineastas com duas Palmas de Ouro, ao lado de Bille August, Francis Ford Coppola, Luc e Jean-Pierre Dardenne, Michael Haneke, Shohei Imamura, Emir Kusturica e Ken Loach.

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