A 20 de julho, "Avatar" perdeu o título de filme que rendeu mais dinheiro nas salas de cinema para "Vingadores: Endgame".

A liderança com 2,787 mil milhões de dólares a nível mundial vinha de 2010. E para o realizador, a sensação foi, afinal, de alívio.

Na verdade, o feito de James Cameron era ainda maior: primeiro com "Titanic" (1997) e depois com "Avatar" (2009), ele manteve o primeiro lugar nas bilheteiras durante 7817 dias consecutivos, quase 21 anos e meio.

Claro que todos estes recordes, os de Cameron e da Marvel, são contabilizados com valores correntes, sem ter em conta as receitas de filmes que precisariam de ser ajustados à inflação ou a alteração do preço dos bilhetes, para que fossem usados num ranking atual. Desse ponto de vista, inalcançável seria "E Tudo o Vento Levou": se as receitas forem atualizadas com a inflação, o mítico filme de 1939 chega aos 3,703 mil milhões.

Na altura, James Cameron deu os parabéns à Marvel, partilhando uma imagem que juntava os dois universos cinematográficos, mais concretamente o Homem de Ferro (com que os Estúdios Marvel começaram no cinema em 2008) rodeado pelas sementes sagradas da Árvore das Almas do planeta Pandora e a frase "Oel natie kameie, I see you Marvel. Congratulations to ‘Avengers: Endgame’ on becoming the new box-office king" [Eu vejo-a Marvel. Parabéns a 'Vingadores: Endgame' por se tornar o novo rei das bilheteiras].

Conhecido por ser muito competitivo (poucos esquecem como se proclamou "o rei do mundo" ao ganhar os Óscares por "Titanic"), o que foi que James Cameron realmente sentiu após perder o recorde de "Avatar"?

Curiosamente, disse ao Deadline, a reação foi de alívio e otimismo.

"Dá-me muita esperança. 'Vingadores: Endgame' é uma prova demonstrável de que as pessoas ainda vão aos cinemas. O que mais me assustou sobre fazer 'Avatar 2' e 'Avatar 3' foi que o mercado poderia ter mudado tanto que simplesmente não era mais possível conseguir que as pessoas ficassem assim tão empolgadas em ir e sentarem-se numa sala escura ao lado de estranhos para ver alguma coisa", contou.

De facto, o mercado mudou bastante desde que "Avatar" construiu a sua liderança ao longo do inverno de 2010 ou até de outubro desse ano, quando foram anunciadas as sequelas do regresso a Pandora, então previstas para chegar às salas em 2014 e 2015.

Seguiram-se vários desafios técnicos e adiamentos e agora "Avatar 2" está previsto para 17 de dezembro de 2021 e o filme a seguir para 22 de dezembro de 2023. Um quarto e quinto filmes também têm datas em 2024 e 2027, mas só serão realidade de os anteriores fizeram magia nas bilheteiras.

"Será que 'Avatar 2' e '3' serão capazes de criar esse tipo de sucesso no zeitgeist? Quem sabe. Estamos a tentar. Talvez consigamos, talvez não, mas a questão é que ainda é possível. Fico feliz por ver isso, em vez da situação alternativa, com a disponibilidade rápida, a experiência feita à medida que todos podem criar para si com os serviços de streaming e todas as diferentes plataformas, em que [a experiência das salas de cinemas] poderia não existir mais", reforçou o realizador.

"Fico simplesmente contente por ainda existir porque eu sou todo sobre o grande ecrã. Não que eu não faça algo para streaming em que se pode entrar pelas personagens de uma forma diferente, mas o que mais gosto de fazer é criar uma experiência completamente submersiva em que a pessoa desligar o telefone e se envolve. Você, como membro do público, a envolver-se durante duas horas ou duas horas e meia, seja o que for. E isso ainda existe!", concluiu o responsável pelas emoções de "Titanic" e "Avatar", já a pensar em novos recordes...

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