Em "Guardiões da Vida", um filme de dois minutos lançado 'on-line' na quinta-feira pelas ONG ‘Amazon Watch’ e ‘Extinction Rebellion’, o ator de 45 anos interpreta um cirurgião que está a tentar salvar a vida de um paciente que está a morrer.

A cena assemelha-se a episódios de séries como "Serviço de Urgência" e "Anatomia de Grey".

Mas uma vez que Joaquin Phoenix abandona a operação, considerando que o paciente está morto, outra médica, interpretado pela atriz alemã de origem indígena Q'orianka Kilcher, entra em cena.

Ao colocar as mãos no corpo da vítima, ela consegue ressuscitar o paciente, cuja imagem é finalmente revelada: podemos ver no lugar do seu coração as florestas da Amazónia e da Austrália em chamas, vistas por satélite.

"Eu fiz este filme para aumentar a consciencialização sobre o efeito da indústria de carnes e laticínios na mudança climática", indicou Joaquin Phoenix, que é um vegetariano de longa data, citado num comunicado da Amazon Watch, uma ONG sediada nos Estados Unidos.

O ator acrescentou que os humanos estão a "cortar e a queimar florestas tropicais, e a observar os efeitos dessas ações em todo o mundo".

"Uma mulher indígena salva a Amazónia [na curta-metragem]. Não é uma metáfora, é a realidade da floresta. A Amazónia é o coração do nosso planeta e os povos indígenas são os seus guardiões", afirmou a diretora executiva da Amazon Watch, Leila Salazar-Lopez.

Esta curta-metragem foi elogiada pela coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Sonia Guajajara, que lança regularmente críticas à política ambiental do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.

"Precisamos de solidariedade internacional (...) para dar mais visibilidade à nossa luta, denunciando a destruição da Amazónia e a violência contra os povos que defendem a sua existência", afirmou Guajajara.

O Presidente Bolsonaro tem sido fortemente criticado pela comunidade internacional pelo aumento da desflorestação e incêndios na Amazónia.

Espera-se que o Congresso brasileiro vote em breve um projeto controverso, enviado pelo atual Governo, para autorizar a exploração mineira em terras indígenas.

O total de áreas sob alerta de desflorestação na Amazónia bateu recordes em janeiro deste ano. De acordo com os dados do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) brasileiro, foram emitidos alertas para 284,27 quilómetros quadrados de floresta, o maior índice para o mês, desde que começou a série histórica, em 2016.

Na análise do último trimestre (novembro, dezembro e janeiro), também foi verificado um novo recorde, com alertas para a devastação de 1.037 quilómetros quadrados, a maior área para o período desde que começou a medição, segundo dados citados pela imprensa brasileira.

Dessa forma, 2020 teve início mantendo os elevados índices de fogos e desflorestação registados ao longo de todo o ano passado, quando o abate de árvores na Amazónia brasileira atingiu 9.166 quilómetros quadrados, naquele que foi o primeiro ano de gestão de Bolsonaro, num aumento 85% superior ao de 2018.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Tem cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

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