A decisão anunciada esta semana pela Disney de lançar "Mulan" diretamente na sua plataforma de streaming a 4 de setembro foi um golpe forte para os cinemas, que apostavam nesse filme e em "Tenet", o novo trabalho de Christopher Nolan", para reconquistar os espectadores após meses de portas fechadas por causa da pandemia.

Segundo a imprensa especializada, as reações internacionais dos donos dos cinemas são de fúria com o que entendem ser a falta de apoio do estúdio mais importante de Hollywood no seu momento de maior necessidade.

Mas o dono de um cinema francês resolveu não ficar pelas palavras de protesto: decidiu destruir o material de publicidade de "Mulan" que estava em exposição e abrir caminho para o cartaz de "Tenet".

Em poucas horas, o vídeo divulgado esta quinta-feira de manhã teve mais de 500 mil visualizações e também muitas reações.

A pessoa que aparece no vídeo chama-se Gerard Lemoine e é o proprietário do Cinepal, um pequeno multiplexe independente de quatro salas em Palaiseau, nos subúrbios de Paris.

Em declarações ao Deadline Hollywood, explicou que fez o vídeo para expressar a sua frustração após saber da decisão da Disney, que descreve como "muito dura e devastadora".

O exibidor salientou que andou a promover "Mulan" "durante meses" e que tanto ele como os colegas, que reabriram as portas dos cinemas no início de junho, esperavam que fosse um título essencial no esforço para se manterem a funcionar.

"Para a maioria de nós, tem sido um esforço gigantesco mantermo-nos abertos neste momento, mas estávamos a partir do princípio que haveria alguns filmes ambiciosos a estrear nas próximas semanas. Ao perder 'Mulan', perdemos a oportunidade de oferecer aos nossos espectadores um filme aguardado há muito tempo que nos teria ajudado após estes últimas semanas difíceis. Também é uma má mensagem para enviar ao público", explicou.

Tal como o vídeo mostrava, as esperanças de Gerard Lemoine viram-se para "Tenet", que, tal como em Portugal, estreia a 26 de agosto.

"Mas não é suficiente. Os estúdios precisam perceber que não conseguirei durar muito tempo se cancelarem estes filmes ou os colocarem nas plataformas. Dediquei a minha vida a mostrar filmes e não quero morrer!", esclareceu.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.