Claudio de Oliveira foi mensageiro, instrutor de dança e comissário de bordo antes de trabalhar em animação: hoje é o animador responsável por Forky, a nova personagem da saga "Toy Story".

Criado em São Paulo, Oliveira mudou-se para os Estados Unidos para acompanhar a esposa. Nunca tinha passado pela sua cabeça trabalhar com animação.

"Lembro-me que fazia no meu caderno aqueles desenhos que, folheados a correr, se vê um boneco a fazer golo. Já tinha feito animação sem saber", disse à AFP durante uma visita aos estúdios Pixar, nos arredores de San Francisco.

Ao chegar aos Estados Unidos, decidiu que queria estudar, "tentar fazer algo mais artístico".

Foi então estudar animação no Santa Monica College.

Trabalhou na companhia de efeitos visuais Sony Imageworks, antes de entrar no Walt Disney Animation Studios, onde participou do desenvolvimento de filmes como "Entrelaçados" (2010) e "Força Ralph" (2012).

Em 2013 entrou na Pixar, onde foi animador de grandes sucessos como "Divertida Mente" (2015), "Carros 3" (2017), "Coco" (2017) e "The Incredibles 2: Os Super-Heróis " (2018).

Agora chega a "Toy Story 4", a última entrega do filme que pôs no radar um estúdio então desconhecido há 23 anos.

Neste filme, que estreia em 21 de junho nos Estados Unidos (uma semana mais tarde a Portugal) e com o qual a Pixar põe fim à saga, Woody (Tom Hanks), Buzz Lightyear (Tim Allen) e o resto do adorável grupo de brinquedos estão com uma nova criança: Bonnie, que ganhou como presente do adulto Andy os tesouros da sua infância.

"Dimensão e ligação"

No seu primeiro dia no jardim de infância, a miúda cria com massa, um garfo de plástico e um palito, Forky, que não percebe que é um brinquedo e sempre que tem a oportunidade atira-se para o lixo.

"Acho que ele não é tão deprimido, é só um pouco confuso. É como se fosse uma criança, precisa de um tempo, amor e um pouco de compreensão, vai ver como evolui", afirmou Oliveira.

O brasileiro trabalhou neste novo personagem que, segundo o produtor do filme, Jonas Rivera, foi inspirado no facto de que as "crianças brincam com qualquer coisa e criam personagens".

"É uma criação de muitos", indicou o animador de 40 anos. "Vai de departamento em departamento, de artista para artista, tivemos sessões para construir os nossos próprios Forky para ver qual o design que seria o melhor, usando uma ideia aqui, outra ali".

"E quando chega à minha mão já está pronta visualmente, só falta dar vida a essa personagem", explicou.

Os animadores são como os atores neste género, dando movimento e personalidade às suas personagens, e Oliveira teve química com Forky porque ele próprio era uma dessas crianças que criava brinquedos do nada com o seu irmão mais velho.

"Com uma mola, uma tampa de caneta, papel e cola, desenhava e fazia os meus próprios brinquedos", lembrou.

"Foi muito agradável poder trabalhar com esta história, que me trouxe recordações dessa época na que um brinquedo feito à mão por uma criança podia ter uma dimensão e uma ligação muito maior do que o comprado numa loja", salientou.

O principal desafio com Forky foi "fazer com que se integrasse no mundo que já existia", apontou o animador.

"Havia um contraste grande também porque as minhas cenas eram com Woody, que é uma personagem muito conhecida e amada, e queria que esta fosse também recebida da mesma maneira", concluiu.

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