Antes da realização do evento, em Tulsa, Oklahoma, o chefe da equipa eleitoral de Trump anunciou no Twitter que haviam sido solicitados mais de 1 milhão de bilhetes. Mas segundo o Departamento de Bombeiros local, apenas 6,2 mil pessoas compareceram.

Publicações que se tornaram virais nas redes sociais TikTok e Twitter revelaram que o plano de reservar entradas em massa circulou durante dias, acumulando centenas de milhares de visualizações. Um vídeo pediu a participação de fãs dos BTS, boyband sul-coreana que se tornou uma das mais populares da K-Pop, com mais de 21 milhões de seguidores apenas no Twitter.

Brad Parscale, gerente de campanha de Trump, culpou "manifestantes radicais" por "interferirem" no ato político. Mas Alexandria Ocasio-Cortez, congressista do Partido Democrata, respondeu: "Você foi apenas ABALADO por adolescentes no TikTok." "Aliados da K-Pop, também vemos e estimamos a vossa contribuição na luta pela justiça", acrescentou a deputada, representante de Nova Iorque.

Consciência social

Embora seja quase impossível determinar o verdadeiro impacto da campanha virtual entre o público do comício, a ação destacou a tradição dos fãs da K-pop de serem politicamente engajados. No último mês, os amantes deste género de alcance mundial nascido há cerca de 25 anos na Coreia do Sul adotaram a hashtag "#WhiteLivesMatter", com imagens relacionadas com a K-pop, para abafar a onda de tweets racistas na rede.

"A K-pop tem uma cultura de ser responsável", explica CedarBough Saeji, da Universidade de Indiana, académica especialista no género. "Os fãs deste estilo musical costumam ser pessoas com consciência social" e o género conta com um amplo apoio entre as comunidades negra e LGBTQ, declarou à AFP.

Depois de os BTS terem doado um milhão de dólares ao movimento Black Lives Matter, a organização beneficente coletiva de fãs conhecida como One in An ARMY arrecadou outro milhão, para igualar o montante doado às causas contra o racismo e a violência policial.

"As canções dos BTS motivaram-nos a ter confiança em nós mesmos, sermos gentis com os outros e nos colocarmos à disposição para ajudar", diz Dawnica Nadora, voluntária de 27 anos do braço norte-americano da organização.

CedarBough Saeiji destaca a "mensagem de positividade" por trás do ativismo dos fãs: "A K-pop atrai as pessoas que gostam deste tipo de música, mas que também querem fazer do mundo um lugar melhor."

Uma força poderosa

A consciência social e a compreensão da Internet como ferramenta fazem com que a base de fãs da K-pop seja uma força poderosa. "Eles estão sempre conectados. Os organizadores da K-pop estão, principalmente, no Twitter", conta Saeji, assinalando que a sua compreensão dos algoritmos da Internet os converte num grupo poderoso em matéria de organização na rede.

"Temos muita sorte por os ARMYs (exércitos) se apoiarem mutuamente, apesar de, frequentemente, estarem a milhares de quilómetros de distância uns dos outros", diz Nadora, voluntária e fã dos BTS.

Embora alguns analistas políticos achem que o esforço virtual para sabotar o comício de Trump tenha sido apenas uma brincadeira, vários comentadores, entre eles CedarBough Saeiji, afirmam que a iniciativa representa muito mais do que isso: "Corromperam todos os dados que a campanha de Trump tentava juntar. Basicamente, mostraram à campanha que ela não poderá confiar em nenhum dos seus números no futuro."

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