O concerto acústico intitulado “Mulher da Noite – O eterno amor” terá a participação da escritora moçambicana Paulina Chiziane, a bailarina e actriz Iva Mugalela, o bailarino Osvaldo Passirivo e dos músicos Helena Rosa, Samito Tembe, Mauro Paulo e Jorge Domingos.

É um elenco de luxo. Não formado a propósito deste concerto. Os instrumentistas seguem Nkhululeko sempre que a sua inspiração envia-o ao palco. Apenas Samito Tembe e Jorge Domingos são novos no grupo. Os outros sentem o perfume dos seus versos há mais de sete anos.

Paulina Chiziane é incotornável quando o assunto belisca a tradição africana, as suas obras têm uma forte presença nas “raízes”, por isso parte deste espectáculo será dominada pela escritora. Claramente, há muito por dizer sobre esta temática e Chiziane, nos seus pronunciamentos, fá-lo com alma, como quando escreve, por isso Nkhululeko optou pela escritora para compor o bailado.

E não será a primeira vez que Paulina Chiziane participa neste tipo de espectáculos. Aliás, nos últimos dias, a escritora tem se dedicado à música.

Em 50 minutos, de acordo com antropóloga Sónia Seuane, Leco Nkhululeko propõe-se a entreter as nossas percepções sobre a expressão “Mulher da Noite”, usada no nosso quotidiano de forma “normativa”.

Neste encontro entre a poesia, a música e a dança, a expressão ganha novos contornos e desperta-nos para uma vivência que não muito distante, muitas vezes é escondida, repelida e não reconhecida entre nós cidadãos da aldeia global. Nós os cosmopolitas. Numa mistura de amor e ódio, prazer e dor e de lutas internas sofridas que só os africanos conhecem o sabor, Nkhululeko insita-nos a reflectir profundamente  sobre a diferença que os discursos têm das práticas e desafia-nos a reconhecer as diversas mulheres da noite que podem existir nas nossas vidas. Quem é a dita Mulher da Noite afinal, esse tal amor eterno?

Desengane-se quem pensar que neste concerto haverá respostas sobre o assunto. Caberá o público tomar as suas conclusões, como se lessem uma história sem desfecho. Ao poeta é lhe peculiar a sua tarefa, que, aliás, o faz com mestria: exaltar o eterno amor, seja ela (a mulher) santa ou bruxa.

O espectáculo “Mulher da noite” não deixa de ser um pretexto para Nkhululeko rever amigos conquistados nos saraus de poesia por onde declama, mas isso não significa que seja uma temática para a sua próxima produção literária. Disso distancia-se o autor e nem pensa no próximo livro. "Bíblia Lounge", afinal, ainda está em brasa, e poderá ser adquirido no dia do evento.