Um livro contra o esquecimento sobre a primeira capital colonial de Moçambique, a Ilha de Moçambique, da jornalista francesa Jordane Bertrand, foi editado este mês em França, e sucede a outras obras da autora sobre o continente africano.
“Cette petite île s'appelle Mozambique” ("Esta pequena ilha chama-se Moçambique", em tradução literal) é um novo livro (mais um) sobre a ilha de Moçambique, evoca o esplendor decadente da primeira capital colonial e deixa-se seduzir pela mistura de culturas e de gentes.
A sua autora, a francesa Jordane Bertrand, jornalista da AFP e antiga correspondente do Canal France International em Maputo, é uma grande viajante pelo continente africano e doma dezenas de incursões de que resultaram livros de referência, como “Rwanda, le piège de l'histoire” (Karthala, Paris, 200, “Voyage au Mozambique: Maputo (Editions Garde-Temps, Paris, 2005) ou “Histoire des indépendances africaines et de ceux qui les ont faites” Editions Afromundi, Paris.
A escolha do tema para o novo livro resultou do fascínio exercido pela Ilha de Moçambique, "um dos lugares mais fascinantes" que a jornalista encontrou, "em mais de trinta viagens pelo continente”, disse Jordane Bertrand à agência Lusa, falando de Bordéus, onde reside.
Primeira capital colonial de Moçambique (1752-1898), a estreita faixa de terra, cercada de água por todos o lados, continua igual ao que foi durante os séculos de ocupação humana: parada no tempo, perdida na imensidão do Índico, pujante na sua lenda, persistente na decadência.
Na província de Nampula, no norte do país, Ilha de Moçambique é parente mais pobre de outras praças da região, com portos emblemáticos da cultura 'swahili', que já tiveram um grande passado mas um futuro incerto, como Zanzibar (Tanzânia), Mombaça e Lamu, (ambos no Quénia) e a moçambicana ilha do Ibo, que continua a inspirar os que a visitam, a estimular relatos de viagem, apontamentos de memória, reflexões pessoais.
A Ilha de Moçambique é uma sedução que resiste ao tempo, como se exemplifica em “Cette petite île s'appelle Mozambique”, lançado em Paris, pelas Editions Transboréal.
"Cette petite île s'appelle Mozambique" é também uma declaração contra o esquecimento que se abate sobre a primeira capital colonial.
Em França, se já pouco se se sabe sobre Moçambique, diz a autora. Portanto, o que não se desconhecerá da ilha? “Mas Mas Moçambique é uma ilha?”, perguntam-lhe agora.
A mistura de gentes – africanos, indianos, portugueses, árabes, chineses - confere um caráter único à ilha, e, diz a jornalista, propicia encontros inesperados ao virar de uma esquina.
São esses retratos que acabam por dar forma a grande parte do último trabalho de Jordane Bertrand, como afirma a autora.
“Encontrei um dos últimos filhos do penúltimo cônsul francês, que hoje tem mais de 90 anos”, recorda, em declarações à Lusa, a propósito de uma sociedade que observou “com paixão”, durante semanas, e que traduziu em "Cette petite île s'appelle Mozambique".
LAS // MAG
Lusa

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