No cargo há uma semana, Jorge Dias considera que a actividade cultural entre Brasil e Moçambique tem espaço para ser intensificada, aproveitando a curiosidade que aquele país da América Latina tem estado a nutrir em relação a Africa.

"Há muitas possibilidades [de cooperação cultural], tem a ver com a predisposição que o Brasil tem em relação a África, hoje é muito maior do que há uns anos, há muito mais curiosidade, maior vontade de conhecer", declarou Jorge Dias, artista plástico e docente de arte.

As artes plásticas, literatura, música, teatro e cinema são áreas que oferecem um grande campo de colaboração entre os agentes culturais dos dois países, disse.

"O Brasil tem uma indústria criativa, uma indústria de cultura imensa, que tem um poder de penetração ao nível mundial, através das suas músicas, televisão e novelas", disse o director do CCBM.

Os agentes culturais moçambicanos podem aprender com o Brasil, principalmente ao nível da circulação comercial do seu trabalho, pois o mercado cultural brasileiro é muito competitivo e lucrativo, acrescentou.

"O CCBM pode ter esse papel de incentivar a criação cultural e a circulação das obras culturais, levando autores moçambicanos a falarem do seu trabalho em centros culturais e espaços universitários no Brasil", assinalou Jorge Dias.

O CCBM vai apostar igualmente em divulgar as suas iniciativas junto da população jovem, sobretudo estudantes, por forma a aderirem à oferta cultural produzida pela instituição.

"O programa dos centros culturais é complementar à escola, porque uma peça de teatro, uma poesia, uma música ou uma exposição complementam a escola, o nosso programa deve refletir os valores que pretendemos para a sociedade", acrescentou.

Apesar de os centros culturais não serem lugares de massas como um estádio de futebol ou praia, devem assegurar que os vários públicos tenham aquele tipo de espaços como parte do seu roteiro de visitas, defendeu Jorge Dias.