Um marinheiro maltês, um ditador africano, um antropólogo, uma virgem e uma zebra são algumas das personagens da nova obra do escritor José Eduardo Agualusa, “O livro dos camaleões”.

Personagens “arrancadas à realidade ou inspiradas em figuras reais”, num livro de contos que não são inéditos e que já tinham sido publicados em jornais, revistas ou em meios de comunicação social eletrónicos, segundo disse o autor à agência Lusa.

“Achei que fazia sentido reunir estes contos num único volume, até porque alguns não eram conhecidos dos leitores, porque, pura e simplesmente, podiam não ter tido acesso aos meios em que foram publicados”, explicou José Eduardo Agualusa.

Questionado sobre as personagens dos contos, o escritor disse que quase todas são inspiradas em figuras reais ou "sacadas" da realidade.

“O ditador angolano tanto podia ser de Angola como de outro país, pois todos os ditadores têm muitas semelhanças”, disse.

Já o famoso marinheiro maltês que visita S. Tomé, depois de passar por um lugar onde o tempo não passa, é uma personagem inspirada no marinheiro Corto Maltese, de Hugo Pratt.

“É uma brincadeira com o Corto Maltese e trata-se de uma história que, inicialmente, era para ter sido editada em banda desenhada, com ilustrações do são-tomense Renée Tavares”, disse o escritor à Lusa.

José Eduardo Agualusa acrescentou que os contos que compõem o livro são “todos muito diferentes entre si, tanto no estilo como na abordagem ou na época em que se passam”.

“Mas têm um pouco em comum: são todas personagens em trânsito e em trânsito de identidades”, sublinhou.

Quanto ao título do novo livro – dado à estampa pela Quetzal -, José Eduardo Agualusa diz tratar-se de uma “brincadeira” com o título que os britânicos deram à tradução do seu romance ”O vendedor de passados” ("The book of chameleons").

Sobre novos projetos, José Eduardo Agualusa revelou que está a escrever um novo romance, sem adiantar pormenores.

José Eduardo Agualusa parte ainda hoje para S. Paulo, para assistir à estreia do filme “O vendedor de passados”, de Lula Buarque de Hollanda, que abriu a o Festival Itinerante de Língua Portuguesa (Festin), no passado mês de abril, em Lisboa, e para promover o lançamento do livro “A rainha ginga”, no Brasil.

O escritor nasceu em Angola, no Huambo, a 13 de dezembro de 1960. “A conjura”, “Estação das chuvas”, “Nação crioula”, “As mulheres de meu pai”, “Teoria geral do esquecimento” são alguns dos títulos do autor, que também tem quatro recolhas de contos, um volume de poesia e cinco livros para crianças.

Lusa