Kevin Lima, um jovem pintor da Guiné-Bissau, de 26 anos, foi galardoado no domingo (20.10) com a medalha de ouro na 25ª edição do "Artcom Expo International", uma exposição de arte que decorreu em Paris. O evento juntou este ano cerca de 165 expositores de 21 países, exibindo arte moderna, contemporânea e as tendências emergentes.

"Galardoaram-me porque a minha obra estava a causar polémica desde o primeiro dia da exibição da minha galeria, no "Carrousel du Louvre", em Paris", conta Kevin Lima em entrevista à DW África.

"Muitos artistas e críticos diziam que era uma fotografia e não uma pintura. Disseram que foi um trabalho digital imprimido, facto que me deixou maldisposto. Por fim, após uma avaliação mais detalhada, os júris concluíram que é uma pintura e não uma réplica, ou algo digital. Aí deram-me o prémio da melhor obra do salão", diz o artista, que vive na região do Algarve, em Portugal.

Prémio serve de "trampolim"

Kevin Lima recebeu a medalha de ouro das mãos dos organizadores do evento, que sublinharam o facto de o guineense ter levado a melhor sobre os concorrentes de 14 países. "Senti-me muito, muito satisfeito naquele momento. Esse prémio significa um trampolim enorme na minha carreira artística e a abertura de muitas portas", afirma.

O sonho começa a tornar-se realidade para o artista da Guiné-Bissau, que só começou a pintar a sério em 2016. Kevin recebeu, de imediato, um convite para participar a 4 de dezembro numa outra grande exposição de pinturas em Miami, nos Estados Unidos da América.

"Estou super satisfeito por representar o meu país nesses grandes eventos internacionais", disse em entrevista telefónica a partir da capital francesa.

O realismo do quotidiano

Kevin Lima começou a pintar muito cedo por curiosidade e prazer, sem qualquer objetivo comercial na altura. Mas, em 2016, entusiasmou-se com a parte comercial da pintura, porque queria ter autonomia financeira e dar um salto na carreira.

Daí dedicou-se às pesquisas, fez vários cursos e começou a apreender as técnicas realistas com outros pintores da Guiné-Bissau.

"Organizei a primeira exposição das minhas pinturas no Centro Cultural Português de Bissau, e nesse dia vendi todos os quadros que tinha no evento. A partir daí nunca parei de pintar", conta o artista.

À DW África, Kevin Lima afirma que tenta expressar na pintura o realismo da vida quotidiana, que é um trabalho mais exaustivo: "Os meus quadros não têm muito mistério por trás das obras, porque mostram logo uma realidade. É um trabalho extremamente delicado, cansativo e que exige grande concentração, do início ao fim. No entanto, a satisfação de terminar a obra e ver que realmente se parece com uma fotografia é fantástica."

O jovem viaja muito para fotografar e depois desenhar as fotos em quadros. O seu maior sonho é fundar uma escola de Belas Artes na Guiné-Bissau e organizar uma exposição no Hospital Nacional Simão Mendes, o maior centro hospitalar do país, retratando as principais figuras históricas guineenses.

Por: Braima Darame / DW

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