Dois murais do artista moçambicano foram reinaugurados hoje em Maputo, após obras de restauro, numa ação de cooperação dos governos moçambicano, português e alemão.

“A conservação e restauro é um processo essencial”, disse Amélia Paiva, durante a cerimónia.

O primeiro mural, denominado “O Homem e a Natureza”, pintado entre 1977 e 1979, está no recinto do Museu de História Natural de Maputo e o segundo, sem título, pode ser visto no Centro de Estudos Africanos no campus da Universidade Eduardo Mondlane, a mais antiga do país.

Os murais devem ser objeto de especial proteção e valorização, pois “as próximas gerações poderão descobrir ainda mais sobre a sua história e identidade” a partir deles, sublinhou Detlev Wolter, embaixador da Alemanha em Moçambique.

“Nestes murais estão refletidas partes da história de Moçambique”, destacou.

Mutxini Malangatana, filho do artista, disse que uma das suas missões de vida é a conservação das obras do seu pai, referindo que é hoje inaugurada, em Chicago, uma importante exposição de Malangatana congregando mais de 40 obras.

“É uma feliz coincidência”, disse Mutxini, agradecendo o gesto, acrescentando que um dos objetivos da sua família é “manter e melhorar os princípios de preservação do património”.

Artista multifacetado, Malangatana tem murais em Maputo e na Beira, na África do Sul e na Suazilândia, mas também em países como a Suécia ou a Colômbia.

Malangatana Valente Ngwenya, falecido em Matosinhos, Portugal, em 2011, aos 74 anos, foi um dos mais conhecidos artistas plásticos moçambicanos, tendo sido agraciado com a medalha Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, atribuída pelo Estado português.

O artista expôs em Moçambique e em Portugal, mas também mundo fora, na Alemanha, Áustria e Bulgária, Chile, Brasil, Angola e Cuba, Estados Unidos, Índia.

Além das artes plásticas, foi poeta, ator, filantropo e deputado da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder em Moçambique desde a independência.

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