Considerada a primeira romancista de Moçambique, Paulina Chiziane mostrou-se disposta a começar a cantar, uma paixão que, segundo narrou numa entrevista ao portal VIVA, é a primeira manifestação artística que conheceu, remontando à sua infância.

A possibilidade da escritora apostar na música resulta do facto de ter-se retirado da literatura por tempo indeterminado, deste modo, passando a gozar maior parte do seu tempo “dormindo e brincando de cantar com os meus novos amigos”, revelou.

“Tenho passado bom tempo com alguns jovens músicos, que estão em busca de oportunidades. Aos fins-de-semana a minha casa está sempre cheia de jovens. São jovens principiantes, em busca de apoio. Bateram na minha porta. Chamei-os para conversar, nos conhecemos e hoje somos uma família. Portanto, estou muito bem. Desenhamos letras de músicas, cantamos, conversamos, nos divertimos. Qualquer dia irão ouvir a minha voz pelo ar”, garantiu a autora de destacáveis obras literárias como “Balada de Amor ao Vento”,"Ventos do Apocalipse", "O Canto dos Escravos" e "Niketche".

Nesta senda, Chiziane deixou claro que não irá fazer shows porque está cansada e a idade já não a permite.

“O primeiro objecto de arte que fiz na vida foi uma composição musical, tinha 13 anos. Larguei, mas agora estou a regressar à segunda infância, a retomar aquilo que deixei aos 13 anos, se calhar irei fazê-lo bem”, avançou rematando que “abandona” a literatura sem nenhuma mágoa.