Passaram seis anos desde o lançamento de “Filho das Ruas”, de NGA, e três desde “O Padrinho”, de Don G. Entre a gravação do videoclip da música “Depois do Amor”, de NGA, os rappers que eliminaram as fronteiras entre a Linha de Sintra e a do Equador partilham com o SAPO o que acham haver em comum entre os álbuns. A resposta já existe em "Irmandade" de NGA – “Se gostas do atual, mas o antigo para ti é especial, para ser factual, é especial porque foi gradual” –, mas, fora de rima, contam-nos os detalhes: (veja o vídeo)

Este amadurecimento trouxe também responsabilidade, olham para os mais jovens de outra forma, deixam conselhos nas ruas, mas também nas letras: “A luta continua, meus irmãos. Apertem mesmo na escola, apertem no trabalho, que é assim que vamos melhorar as nossas vidas e talvez criar um futuro melhor para os nossos putos.” [NGA, em “A Luta Continua”]

NGA e Don G têm em comum uma vida de ruas, beats e mensagens, mas cada um tem uma linguagem, um ritmo e um beat muito próprio. São “brothers, tropas e soldiers” mas, em tom de brincadeira, explicam o que mais os distingue: (veja o vídeo)

São muitos anos a partilhar microfones e mixtapes na “cozinha”, como gostam de chamar à cave onde gravam as suas músicas. Num grande caldeirão, cabem ainda os outros elementos da Força Suprema: Masta e Prodígio, que têm participações também nestes novos lançamentos. Don G, que não lançou oficialmente “Padrinho 2”, mas anda a passar a mixtape para “alimentar as ruas, para o pessoal curtir”, já tinha adiantado que neste ano podem ainda surgir mais novidades e adianta-nos um pouco do que se anda a passar na cave (veja o vídeo):

“Três de novembro no Hospital Augusto Ngangula, 82 Luanda, capital da bandula, nasceu um artista”, apresenta-se NGA no disco e em todo o seu trabalho são frequentes as referências a Angola, onde nasceu e regressou com um sucesso dourado que veste de marca e que celebra o orgulho de um trabalho aplaudido por muitos e que prova que a música não precisa de visto para cruzar fronteiras.

Foi em Luanda que NGA lançou este último trabalho e onde é sempre bem recebido, afirma, ainda que acrescente: “Sempre fomos muito angolanos para Portugal e não éramos angolanos o suficiente para Angola”, explica NGA, concluindo que são “uma espécie de mufete com bacalhau”. Entre pratos e temperos, ou ideias sobre como são entendidos de um lado ou do outro, a resposta é curta e sentida quando se pergunta o que é para eles Luanda: (veja o vídeo)

Com Edson Vital

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