Depois de receber uma carta de ativistas para reconsiderar o espetáculo marcado para 5 de junho de 2018 em Telavive, a cantora pop, de 21 anos, acabou agora por cancelar o espetáculo. Os ativistas enviaram a mensagem de que o concerto seria visto com um apoio a Israel, mesmo sem haver comentários sobre a situação política.

Em carta aberta publicada no Facebook, o embaixador de Israel na Nova Zelândia, Itzhak Gerberg, pediu um encontro com a cantora, considerando  "lamentável que o concerto em Telavive tenha sido cancelado, desapontando todos os fãs [de Lorde] em Israel".

"A música é uma linguagem maravilhosa de tolerância e amizade, que junta as pessoas. O teu concerto em Israel poderia ter enviado a mensagem de que as soluções partem de um envolvimento construtivo, que leva ao compromisso e à cooperação", escreveu o embaixador, frisando que "a música deveria unir, não dividir".

Na carta, Itzhak Gerberg acrescenta que o espetáculo de Lorde em Israel "poderia ter contribuído para o espírito de paz e esperança no Médio Oriente".

A imprensa israelita avançou que o concerto foi cancelado, menos de uma semana depois do seu anúncio, na sequência da pressão do grupo ativista "Boycott, Divestment and Sanctions (BDS)".

Segundo um comunicado de Lorde divulgado pela promotora Naranjah, o cancelamento surge depois de "um grande número de mensagens e cartas". "Tive muitas discussões com pessoas, com vários pontos de vista e penso que a decisão correta nesta altura é cancelar o espetáculo", lê-se na posição da cantora, que lamentou a situação e acrescentou o desejo de que "um dia todos possamos dançar" em Telavive.

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Os promotores confirmaram o cancelamento do espetáculo e o reembolso do dinheiro a quem já comprou entradas.

Citado na imprensa israelita, um dos fundadores da promotora, Eran Arielli, admitiu na rede social Facebook a sua "inocência em pensar que uma artista da sua idade conseguiria enfrentar a pressão de aparecer em Israel".

O conflito israelo-palestiniano tem conhecido nova polémica e escalada de violência, depois do anuncio do presidente norte-americano, Donald Trump, de que os Estados Unidos reconhecem Jerusalém como capital de Israel e que vão transferir a sua embaixada de Telavive para Jerusalém, contrariando a posição da Organização das Nações Unidas (ONU) e dos países europeus, árabes e muçulmanos, assim como a linha diplomática seguida por Washington ao longo de décadas.

A questão de Jerusalém é uma das mais complicadas e delicadas do conflito israelo-palestiniano, um dos mais antigos do mundo.

Israel ocupa Jerusalém oriental desde 1967 e declarou, em 1980, toda a cidade de Jerusalém como a sua capital indivisa.

Os palestinianos querem fazer de Jerusalém oriental a capital de um desejado Estado palestiniano, coexistente em paz com Israel.

Jerusalém é considerada uma cidade santa para cristãos, judeus e muçulmanos.