Enoque Faria Santos Silva – fiquemo-nos, apenas, pelo bíblico nome de Enoque – nasceu em 1993 na cidade de Belo Horizonte, no Brasil, mas logo aos três anos mudou-se com todas as bagagens para Portugal. “Vim de arrasto com os meus pais. Eles eram membros de uma organização e cresci cá. Só fui ao Brasil em situações de férias. Cresci na zona de Lisboa e apaixonei-me por Portugal. O meu coração puxa mais por cá do que pelo Brasil”, revela.

A música, essa, entrou na sua vida quase ao mesmo tempo que a fé no divino, no que é transcendental. O cantor faz parte da Comunidade Cristã de Lisboa e a música assume-se, de pleno, como um elemento sempre presente e importante desta comunidade religiosa. “Todos os Domingos, durante as celebrações na Igreja, estava em contacto com a música. Por volta dos 15 anos comecei a descobrir que não gostava só de música, mas também de cantar. Comecei a explorar-me, enquanto músico, em grupos de jovens. Mais tarde participei num concurso de escolas. Comecei depois a cantar em projectos gospel, a fazer backvocals e, mais tarde, estive com a Héber Marques Band”, adianta.

Tanto o soul como o funk de Marvin Gaye e Stevie Wonder deixam-lhe, desde cedo, uma marca, muito por culpa dos pais, mas é o estilo pop e R&B que o conquista. Enoque começa, então, a procurar uma identidade para si, enquanto músico. Seja como for, ela não desgarra muito da definição que dá a si próprio, enquanto pessoa: “Sou alguém que gosta de estar feliz e bem-disposto. Gosto de fazer com que as outras pessoas sintam o mesmo. A minha música acaba por ser um reflexo de quem sou.”

Contudo, não estava escrito na pedra que a música seria o seu caminho, nem foi esse, sequer, o ponto de partida em termos de carreira. “Estudei publicidade e marketing na Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa, tendo acabado o curso. Na altura, pensava que era aquilo que eu queria. Estudei economia no secundário, e gostava, mas depois senti que não era para mim. Quis ir para alguma coisa mais criativa, que me desse mais liberdade. Na altura, marketing e publicidade foi o que me pareceu melhor. Mas acabei por não fazer nada com isto”. E assim se perdeu um economista que, quem sabe, seria candidato ao Nobel, quiçá um publicista capaz de mudar o modo como o marketing nos vende os objectos de que não precisamos.

Ironia à parte, vai ser a fé, mais uma vez, a entrar em cena, quanto mais não seja porque ajudou a definir o que queria mesmo para o seu futuro. “A Igreja teve um peso muito forte na minha identidade musical. Cresci num ambiente em que todas as semanas estava a cantar e em cima de um palco, a fazer música, e isso trouxe mais-valias a nível profissional. Foi um resultado inesperado.” Entrando no espírito da coisa, bem que se pode acrescentar que Deus escreve direito por linhas tortas.

Aurea e Mickael Carreira cantaram as músicas que escreveu

É no seio da Comunidade Cristã de Lisboa que conhece o músico Héber Marques, de ascendência angolana, e depressa começam a colaborar. Primeiro como backvocal da Héber Marques Band (HMB), até que em 2014 o single «Naptel Xulima», com a participação da voz de Enoque, torna-se um sucesso e dá a conhecer o nome de Enoque.

“O Héber Marques foi a pessoa que me disse que tinha jeito para cantar, e foi quem me empurrou para eu começar a fazer música. Daí ter surgido a oportunidade de começar a cantar com eles ao vivo. Ele foi o padrinho da minha carreira musical”, confessa o cantor. Quanto a «Naptel Xulima», tudo começou quando “estava na faculdade a fazer tempo e o Héber ligou-me do estúdio para eu ir lá, e eu fui, na minha inocência”, começa por recordar. “Ele estava a começar a fazer a música e disse-me para o ajudar a trabalhar com ela. Escrevemos o segundo verso e, a certa altura, ele diz-me para entrar e gravar. E foi assim que tudo começou e que surgiu este sucesso.”

Entretanto, começa a escrever para músicos de sucesso já confirmado, como os portugueses Aurea e Mickael Carreira, embora a colaboração mais próxima tenha sido com a primeira, fruto do dueto que protagonizaram em «I Feel Love Inside». “Tem sido bom perceber que, apesar de ambos estarem no patamar em que estão, não deixam de ser pessoas acessíveis, fáceis com quem falar e muito incentivadoras daquilo que estou a fazer. Se um dia chegar ao nível deles, espero poder dar o mesmo apoio que agora dão aos outros”, salienta.

Álbum de estreia com Anselmo Ralph sai em Fevereiro

É com toda a naturalidade que a ambição de fazer uma carreia a solo amadurece. Com o Héber Marques enquanto produtor lança o single «Nunca é Bom Demais», no final de 2016, uma melodia que vai beber, em influência, a Frank Ocean e a Justin Timberlake. “O refrão veio primeiro à cabeça, mas o resto da música foi uma confusão, porque quando comecei a escrever não fazia ideia daquilo que estava a fazer. Era mesmo por intuição. Mas houve um dia que escrevi a canção do início ao fim. Foi um processo de produção lento porque ainda não tinha uma identidade artística, não sabia como me queria apresentar a nível artístico.”

Estava criado o primeiro single do seu futuro álbum de estreia, com data prevista para Fevereiro de 2018, um trabalho que deverá ter entre dez e doze faixas.

Entretanto, é lançado este Verão o segundo single do álbum, «Jura», com a participação muito especial de Anselmo Ralph. “Conheci o Anselmo através do «Nunca é Bom Demais». Gostou da música e surge a oportunidade de fazermos uma música em conjunto. Ele depois colocou os seus versos e o seu estilo próprio na canção. A participação do Anselmo deu-lhe um sabor especial.”

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