Jennifer Aniston, que se prepara para o seu regresso à televisão depois de "Friends", acompanhou as demissões de apresentadores como Matt Lauer (NBC) e Charlie Rose (CBS) após as acusações de assédio sexual.

"Quando aconteceu o #MeToo, obviamente a conversa mudou drasticamente e o que fizemos foi incorporar isso à narrativa", conta a atriz, que protagoniza "The Morning Show" ao lado de Reese Witherspoon.

As duas atrizes são também produtoras da série, que estreia a 1o de novembro, dia do lançamento do serviço Apple TV+.

"Começamos a pensar como seria o tom, queríamos que fosse cru, honesto, vulnerável, confuso, não preto e branco", disse Jennifer Aniston em entrevista conjunta em Los Angeles.

O resultado é um olhar tenso, irónico e, às vezes, surpreendentemente sombrio dos bastidores de um noticiário fictício das manhãs em Nova Iorque.

"Algo negligente"

A série começa de forma bastante similar à demissão de Lauer na vida real, com a personagem da atriz a anunciar no ar a saída do seu colega, interpretado por Steve Carell, após diversas acusações.

Nesse momento começa a batalha sobre quem será o substituto, com perguntas sobre se a equipa de jornalistas e executivos, todos muito ambiciosos, sabia sobre as ações do colega.

"É realmente sobre como as pessoas mentem para si mesmas", afirmou a guionista, Kerry Ehrin, que descreveu as personagens como "pessoas sombrias, perturbadas". "É impossível falar dos jornais das manhãs e não abordar o #MeToo, seria algo negligente", completou.

Na série, Jennifer Aniston interpreta uma mulher que ela descreveu como quase um "arquétipo de Diane Sawyer", apresentadora que é um símbolo do canal ABC, e que precisa enfrentar uma repórter obcecada interpretada por Reese Witherspoon.

As duas atrizes encontraram-se com diversos apresentadores, homens e mulheres, incluindo Sawyer, Katie Couric, Gayle King, Robin Roberts e Meredith Vieira, que estimulou uma suposta vítima de seu ex-colega Lauer a denunciá-lo.

"George Stephanopoulos foi particularmente útil", disse Witherspoon, antes de Aniston acrescentar: "E empolgado, sem qualquer medo".

A série é baseada no livro "Top of the Morning", de 2013 escrito por Brian Stelter, ex-crítico de TV do New York Times, que está a atualizar a obra para refletir os acontecimentos do #MeToo.

Os criadores da série insistem que o programa, que satiriza as emissoras tradicionais, não é baseado em factos concretos da vida real.

Michael Ellenberg, produtor executivo de três programas da Apple, incluindo "The Morning Show", disse que a série "está a olhar para a era da transmissão, enquanto ajuda a lançar um novo serviço de streaming".

Outras apostas da Apple TV+

"The Morning Show" é um dos nove programas que acompanham o lançamento da Apple TV+, que estará disponível em mais de 100 países. Outros programas de lançamento incluem o drama "See", no qual um vírus deixa a humanidade cega até que um par de gémeos nasce com o poder da visão, provocando um conflito.

A lista inclui "For All Mankind", que imagina como teria sido a corrida espacial se os soviéticos tivessem chegado primeiro na Lua, e uma série feminista sobre Emily Dickinson, protagonizada por Hailee Steinfeld.

Oprah Winfrey irá lançar o primeiro episódio do seu novo clube de leitura na Apple, enquanto o ator Chiwetel Ejiofor será o narrador do documentário "The Elephant Queen".

Também são aguardados programas produzidos ou protagonizados por gigantes de Hollywood, de Steven Spielberg e Alfonso Cuaron a Samuel L. Jackson e Will Ferrell.

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