Esta terça-feira, dia 5 de fevereiro, começa o Ano Novo Lunar. E, há várias semanas, que a Porquinha Peppa invadiu as montras e as estantes das lojas  dos pacotes de bolachas aos peluches, passando por estojos e porta-chaves

Muito criticada no ano passado por um meio de comunicação estatal, que a acusava de ser usada como um símbolo da contracultura, este ano volta com força ao cinema ("Peppa Pig celebra o Ano Novo chinês"), em num filme que estreia esta semana.

Produzido pela Alibaba Pictures e pelo grupo canadiano Entertainment One - que detém os direitos dos personagens -, o filme mostrará as personagens tradicionais da série de animação, cuja protagonista é uma porca desobediente, mas também duas personagens estreantes: "Dumpling" e "Bola de Arroz", dois componentes da culinária chinesa.

Censurada na aplicação TikTok

No final de 2018, a gêmeas chinesas de cinco anos Mi Ai e Mi Ni gravaram um vídeo no qual pediam para se encontrarem com a rainha da Inglaterra, Isabel II. Isso ocorreu depois  das crianças verem num episódio como a sua heroína favorita conhecia a soberana.

O vídeo teve cinco milhões de visualizações e um impacto tão grande que as irmãs foram convidadas - diante dos meios de comunicação - a beber um chá com a embaixadora britânica em Pequim, que lhes prometeu uma visita ao Palácio de Buckingham.

"É realmente divertido e os diálogos são fáceis de entender", frisou a sua mãe, Bella Zhang, explicando a simpatia que as suas filhas têm pela "porca cor de rosa".

"A Porquinha Peppa" chegou à China em meados dos anos 2000 e tornou-se extremamente popular com os seus episódios dobrados em mandarim. Mas, em maio de 2018, 30 mil vídeos que continham a personagem foram retirados da popular aplicação chinesa TikTok. Os meios de comunicação relacionados com o Partido Comunista Chinês (PCC) criticaram a manipulação da qual estava a ser alvo a inofensiva personagem.

Internautas usavam a sua imagem para elaborar outras imagens, vídeos, rótulos virtuais e tatuagens com mensagens divertidos, subversivas e, inclusive, pornográficas. Uma contracultura que "não deve ser permitida para destruir a infância dos nossos jovens e quebrar as regras", defendeu em abril um editorial do Diário do Povo, jornal oficial do PCC.

Vídeo viral

Os episódios de Peppa Pig registraram 60 mil milhões de visualizações nas principais plataformas de vídeo online da China, afirma à AFP Jamie MacEwan, do gabinete britânico Enders. "Este número era de cerca de 24,5 mil milhões em maio de 2017. Assim, pode-se ver que o interesse por essa personagem está a crescer", frisa.

Recentemente, o filme deu lugar a um anúncio com atores reais que se tornou viral. O vídeo descreve um aldeão que fabrica, a partir de objetos reciclados, um brinquedo que representa a porquinha, com a intenção de agradar à sua neta, criada na cidade e que voltará a vê-lo no Ano Novo.

No país no qual o porco simboliza a riqueza, os produtos relacionados Peppa são muito atrativos. Mas o sucesso da personagem é uma faca de dois gumes para a empresa canadiana Entertainment One, produtora da animação, pois as imitações florescem na China.

Em 2018, foram apreendidas mais de meio milhão de falsificações e dezenas de milhares de anúncios de venda online foram suprimidos, explicou à AFP um porta-voz da companhia. "Na China temos uma equipa encarregada deste problema e que já lidou com muitos casos".

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