Início da manhã, a umas dezenas de quilómetros do coração de Madrid, nos estúdios Alamo, arranca mais um dia de gravações de "Alta Mar", a nova série espanhola da Netflix - as filmagens começaram em outubro de 2018 e chegaram ao final no início de fevereiro. Mas este dia de gravações é um pouco diferente do habitual - jornalistas dos quatro cantos do mundo viajaram até à capital espanhola para conhecerem os bastidores e conversar com o elenco. O SAPO Mag também embarcou na visita e entrevistou os protagonistas.

A série centra-se num magnífico navio transatlântico lotado de passageiros que viajam da Europa para a América do Sul à procura de um futuro melhor e o enredo é focado em duas irmãs - Carolina (Alejandra Onieva) e Eva (Ivana Baquero), que são tão diferentes uma da outra quanto são inseparáveis- e no oficial Nicolás Sala (Jon Kortajarena), um homem colocado pelo destino no local errado à hora errada.

Durante a viagem,  um indivíduo cujo nome não consta da lista de passageiros e de quem ninguém se recorda é assassinado. "Amor, intriga e uma teia de mentiras entrelaçam-se, a bordo de um navio que guarda um segredo terrível nas suas entranhas e onde cada camarote encerra uma história. Só uma coisa é certa: o assassino está a bordo", frisam os responsáveis pela produção.

ALTA MAR

"A série acontece num navio transatlântico que parte de Espanha até ao Brasil e decorre anos 1940. A história é centrada em duas irmãs que embarcam no navio à procura de uma nova vida. Lá conhecem outras personagens, como o oficial Nicolás Sala, o almirante do navio. Durante a travessia acontece um assassinato e, então, têm de investigar a origem do crime, a identidade do assassino. Começam a descobrir segredos obscuros e a série acompanha toda a viagem e os mistérios que vão sendo revelados", começa por explicar Ivana Baquero (“O Labirinto do Fauno”), uma das protagonistas da história, durante a visita aos estúdios onde decorrem as gravações da série.

Os cenários

Para a gravação de "Alta Mar", a Bambú Producciones - produtora de "As Telefonistas" e "Fariña"- construiu um verdadeiro navio dentro de quatro paredes. Há camarotes, sala de comando, cantina, convés, sala de festas e por aí fora. Para a recriação do navio transatlântico, foi usada madeira de vários pontos de Espanha  e foram recolhidos vários adereços da época, dos anos 40 - por exemplo, os adereços da sala de comando foram comprados a um colecionador britânico.

Durante a visita ao set de gravações, os responsáveis explicam que cada cenário está preparado para receber "várias divisões" - a mesma sala foi usada para os aposentos, sala de comunicações, camarote e enfermaria. Mas nestas mudanças de espaços, apenas as paredes se mantêm - algumas das paredes de madeira abrem-se para facilitar no momento das filmagens.

VEJA NO VÍDEO OS CENÁRIOS DA SÉRIE:

Para recriar o transatlântico - os cenários foram inspirados num navio que fez a travessia entre Vigo, Buenos Aires e Brasil nos anos 1940 -, a equipa responsável planeou o projeto durante seis meses. Já a construção das várias divisões em estúdio demorou dois meses.

A primeira classe do navio foi uma das áreas que obrigou a mais trabalho, devido aos detalhes. Segundo o responsável pelos cenários, a "decoração tem de refletir a personalidade das personagens". E é o que acontece com o camarote e com a sala do capitão do navio.

ALTA MAR

Tal como acontece nos grandes cruzeiros, as diferenças entre as classes são notórias - os camarotes da primeira classe são muito maiores e com uma decoração mais pensada. Mas para "Alta Mar", apenas foi construído um quarto de primeira classe, mas que recebe 10 personagens. "Este camarote é o camarote de 10 personagens. Alteramos a decoração, as paredes movem-se. Mudámos o número das portas, os móveis e os adereços", explicam a produção, acrescentando que as restantes portas são "falsas".

Muitos dos camarotes e dos espaços de lazer têm vista para o mar. Para conseguir simular que o navio está em alto mar, em volta dos cenários foram colocados ecrãs gigantes com imagens do oceano.

O guarda-roupa

Os figurinos das personagens também obrigaram a uma pesquisa detalhada, com explicam os responsáveis pelo guarda roupa da série. "Centramos-nos nas roupas usadas em 1946, exactamente. É uma época muito especial e muito marcada. Muito visual. As roupas têm um toque militar", explica a produção.

Cada personagem tem um charriot e umas caixas de sapatos. Para conseguir criar as dezenas de peças, a equipa procurou roupas da época para restaurar. "Algumas peças de roupa são originais e foi preciso um trabalho de restauro", contam as responsáveis, acrescentando que grande parte das peças foram compradas a um colecionador britânico.

Os desafios para o elenco

Na pausa para o almoço, o elenco da série "Alta Mar" sentou-se à mesa com os jornalistas para contar o que já pode ser contado. As conversas decorreram na cantina do navio, um dos locais mais importantes para a história da produção espanhola.

Para Jon Kortajarena (“Um Homem Singular”), ator que veste a pele de  Nicolás Sala, "Alta Mar" é uma série "diferente" daquilo que tem feito. "Para mim, é uma série muito diferente do que já fiz. E é bom. Percebi que era uma das personagens mais inteligente que já tinha feito e isso deu-me muita segurança. Dentro do género, este era um género que já queria experimentar. Senti que estava com uma equipa que me podia dirigir muito bem", confessa.

VEJA NO VÍDEOS OS BASTIDORES DAS GRAVAÇÕES:

Em conversa com o SAPO Mag, o ator frisa que as "gravações foram duras". "Começamos a gravar no final de outubro. Foram mais de três meses de gravações. As gravações foram duras porque é uma série que exige muito esforço e é exigente... mas está a ser muito emocionante e acho que o resultado será algo muito diferente do que se pode esperar de uma série espanhola. Eles estão a trabalhar como se fosse um filme", sublinha.

Para Ivana Baquero, um dos maiores desafios foi gravar a série durante o inverno. "Na série estamos no verão, apesar de estarmos a gravar em pleno inverno em Madrid. E é verdade que há muitas sequências no exterior que são quase anedóticas, no convés do barco, quando há turbulência na água", conta, acrescentando que quando as cenas são gravadas no convés, os atores acabam "encharcados". "O maior desafio é combater o frio", brinca.

ALTA MAR

"É sempre um trabalho complicado", acrescenta Jon Kortajarena. "Embora as condições não sejas as mais agradáveis do mundo, vais para casa feliz e com um pouco de adrenalina, e isso é uma das maiores qualidades desta profissão", confessa.

Para o elenco, fazer parte de uma produção original da Netflix é um grande desafio. "Claro que é excitante teres um público de milhões de pessoas. E quando há pressão e todo um profissionalismo maior as coisas saem melhor", frisa Jon Kortajarena.

ALTA MAR

"Eu entro nos projetos de forma independente. O que interessa mais é a personagem... mas, sim, uma das minhas maiores motivações tem a ver com ser uma produção da Netflix. É uma história especial e mítica, mas isso também traz muita responsabilidade", acrescenta a atriz Ivana Baquero.

Para Eloy Azorín, ator que dá vida a Fernando, o dono do navio, o resultado final será bom porque "a Netflix e a produtora Bambu já trabalharam várias vezes em conjunto". "Este é o meu quarto trabalho com a Bambu. Estou profundamente tranquilo porque tudo o que vejo, o elenco, as personagens e os cenários são muito bons", frisa.

"Alta Mar" é a quarta série espanhola de ficção original Netflix. A produção estreia a 24 de maio no serviço de streaming.

O SAPO Mag viajou a convite da Netflix.